#18. Uma história da classe média
Uma reflexão histórica acerca da faixa antes amada e hoje combatida da população
SUPERADOS OS MALES decorrentes da Grande Depressão, a indústria do pós-guerra precisava vender suas sucessivas invenções agora transformadas em mercadoria. Ora, para vender mercadorias, seria antes preciso haver um mercado: gente de carne, osso e renda, não apenas para comprar, mas desejar comprar, aqueles produtos lançados semana após semana e exibidos nas vitrines e reclames país afora.
Corriam os anos 1950 nos Estados Unidos: país que definia o capitalismo do pós-guerra para o resto do mundo sob o mesmo regime econômico. A população americana já estava minimamente habituada a consumir televisores e rádios, geladeiras e carros. Mas, naquele período, houve um florescimento sem paralelo da ciência e seu filhote tecnologia, e surgiam muitas invenções úteis para o lar, de modo a tornar a casa uma espécie de central de conforto e bem-estar urbano.
Assim, fez-se necessário incentivar todo um corte populacional apto a consumir aqueles produtos fabris: automóvel, fogão, geladeira, sofás, armários, vitrolas, aspiradores de pó. Isso porque, desde Thomas Edison e sua lâmpada elétrica, a chamada curva de experiência da indústria, isto é, o aprimoramento crescente das invenções adquirido no ato mesmo de produzir, fez com que a capacidade produtiva explodisse, e os estoques aumentassem exponencialmente.
Com a automação das máquinas fabris e processos produtivos cada vez mais eficientes, a indústria descobre um negócio chamado “economia de escala”, ou seja, uma relação inversamente proporcional que diz o seguinte: quanto mais produção de um determinado bem, menor o custo para se produzir uma unidade desse mesmo bem.
Trocando em miúdos: quanto mais a fábrica consegue fabricar, mais o custo do item fabricado diminui; por outro lado, quanto menos a fábrica produz, mais o custo unitário aumenta. Trata-se de um princípio clássico da administração. Isso acontece porque os custos envolvidos na cadeia não se alteram na mesma proporção, de modo que o impacto no preço final varia conforme aumenta ou diminui a produtividade.
Exemplo simples: digamos que uma boleira pague $100 de luz + $100 de água + $100 de matéria-prima para fazer bolos de pote. Se ela produz 30 bolos de pote por mês, o custo unitário fica em $10 por unidade ($300 de custo ÷ 30 bolos produzidos). Se ela fizer 15 bolos de pote e o custo com energia e água caem para $80 e o custo da matéria-prima cai para $60, então o novo custo fica 80 + 80 + 60 = 220. Ela economiza? Vejamos: $220 de custo ÷ 15 bolos produzidos = $14,66 de custo unitário. Antes custava $10. Arredondando, o custo unitário aumenta em 47%. Ou seja, menor produção implica em maior custo unitário e vice-versa.
Por isso vemos no noticiário que as montadoras de automóveis preferem deixar os empregados em casa a ligar as máquinas quando a demanda decresce: porque é preferível interromper a pouca produção a perder dinheiro no custo, basicamente. Com a demanda reaquecida, a produção aumenta e os custos diminuem.
Mas deixemos de chatice.
O grande modelo
A economia de escala industrial foi impulsionada pela disseminação da energia elétrica nas cidades do início do século 20. Surge o chamado fordismo (de Henry Ford e sua linha de montagem), inspirando cada vez mais a fabricação de outros bens de consumo dali em diante, de modo rápido e relativamente barato. Só tinha um problema: seria preciso escoar a produção crescente para fazer, vender e lucrar mais, de modo contínuo. Então, fazia-se necessária toda uma classe de pessoas que absorvesse aquela produção, e que, antes disso, tivesse dinheiro fluente para comprar aqueles produtos e trocá-los ao longo do tempo. Em suma, seria preciso um verdadeiro sistema.
Não só sistema: precisava-se criar um grande modelo generalizado, todo um estilo de vida que ensejasse o consumo daqueles produtos, ciclicamente. Ora, quem iria consumir eletrodomésticos? Quem tivesse o doméstico, uma casa; as famílias, portanto. Eureca: é preciso então uma coisa chamada família, incentivar o surgimento dela numa coisa chamada casamento que gerará filhos. E essa família, para ser feliz e viver bem — é o que dirão a elas — para viver bem, ela precisará de refrigeradores e aspiradores de pó e móveis e tudo o mais. Precisa também de uma boa televisão na sala, um aparelho de telefone, um forno micro-ondas na cozinha etc. etc.
A junção, portanto, de renda média fluente mais produtos de conforto doméstico marcou, no pós-guerra, a ascensão da chamada classe média urbana: uma família nuclear (composta de papai trabalhador, mamãe dona de casa, filhinho, filhinha, bichinho de estimação), mais um imóvel mobiliado e equipado, mais um carro na garagem. Eis o formato geral, com pouca variação.
De maneira que não só a indústria, mas todo o capitalismo dos anos 1950 em diante não só dependeu, mas desejou que aquela nova classe se expandisse. As políticas governamentais ensejavam atender a essa faixa mediana da população, e mesmo fomentá-la, isto é, fazer com que a população abaixo da linha média tivesse meios mais facilitados de ascender ao patamar imediatamente superior, e desse modo, viver de acordo com o modelo, consumir como o modelo: eis o american dream, o sonho americano.
Eis o american dream descrito: uma bela residência com papai que trabalha e mamãe que cuida dos filhos; estes estudam para tornar-se cidadãos respeitáveis e bons profissionais ou boas donas de casa no futuro, igual a papai e mamãe; na juventude, conhecerão seu par amoroso e se casarão diante de Deus e dos homens; o novo casal trabalha e adquire um imóvel; equipa aquele imóvel cada vez mais; o novo casal tem filhos que vão à escola; e o ciclo recomeça.
Nessa dinâmica, o jeito de ser da classe média torna-se também padrão nas artes e espetáculos, na teledramaturgia, no cinema; a música gravada e prensada nos long-plays cantava os romances de moças e rapazes, a conquista da doce garota, o sofrimento da moça pelo amor não-correspondido ou que encontra o príncipe encantado, ou de casais loucos para se amar: “come with me my sweet, let’s go make a family”, diz a grudenta balada Always, do grupo Atlantic Starr, dentre inúmeros exemplos.
Tudo isso para terminar onde? Num altar, casando-se, felizes para sempre. E depois, filhos e casa equipada e mobiliada mais carro na garagem. Mesmo nos trópicos, toda novela terminava com a mocinha casando-se com o bom rapaz, contra todas as adversidades. Uma temática média em versão tropical. Valeria a pena: o romance entre homem e mulher era encorajado na mídia, incentivado até o ponto da distorção, que era o sexo promíscuo (mas essa é outra história e pede outra abordagem).
Naquele bojo, a classe média passou a gostar de ser quem era e de viver como vivia. Acostumou-se. Ela aprendeu bem o ciclo do trabalho e criava seus filhos de acordo com a lógica estude, trabalhe, se case, tenha propriedade e filhos. A indústria jamais deixou de atender a demanda — cada vez mais frequente — e inovava, de resto porque precisava criar obsolescência programada para oferecer outro item com igual função, porém aprimorada. A velha geladeira precisava ser trocada por uma mais nova: espaçosa, econômica, tecnológica, eficiente etc.
Este foi o padrão no Ocidente desenvolvido e em parte do subdesenvolvido — nas metrópoles isoladas da precariedade do país — até meados dos anos 1980. Em 1989, cai o muro de Berlim, a União Soviética dá seu adeus em 1991, e parece então que o mundo todo seria uma versão local de um grande suburb americano de classe média, feito o vilarejo asséptico e ajardinado do filme Edward Mãos de Tesoura (de 1990, cuja história se passa em 1950; Tim Burton retrata ali a classe média americana em essência, o novo american dream exportado ao mundo capitalista como modelo).
A nova ordem
Nos anos 1990 em diante, devagarzinho o capitalismo adentra numa nova era, dentro da chamada new world order: anunciado textualmente pelo presidente George Bush pai. Recrudesce como nunca o chamado fluxo de capitais que, grosso modo, funcionava assim: nada de novas e trabalhosas plantas fabris no próprio quintal. Injeta-se o dinheiro nas indústrias já existentes, em várias delas; antes, estabelece-se o quanto se quer lucrar por ali, coloca-se gente para coordenar a tarefa e os gestores locais dão o lucro desejado. Obtido o resultado, recolhe-se as fichas da mesa, enche-se as malas com a grana e prospecta-se novos pousos para o rico dinheirinho. Nas companhias, entra em cena a famigerada figura do Chief Executive Officer, o CEO, o dito executivo.
De maneira que o dinheiro grande torna-se itinerante mundo afora, e isto recebe um nome sofisticado: private equity, investimento privado. Então, o capitalismo deixa de ser emprego direto de capital (a tríade galpão, trabalhador e maquinário) e se torna investment, investimento: ponho ali mil, faço dois mil e saio, “deixo a operação”. E repito a fórmula.
Ocorre que, neste intervalo entre alocar o dinheiro, recuperá-lo e lucrar, muita água corre debaixo da ponte: crises financeiras, má condução da economia pelos governos, guerras, desastres naturais. Então, para tantas ameaças é preciso proteção e salvaguarda. Aí aparecem os produtos financeiros, que visam remunerar com juros o capital enquanto ele não prospera na economia real, isto é, enquanto a mercadoria não sai da prateleira. Então, surgem em cena os bankers, os brokers, os yuppies; aparece Wall Street na sua versão Gordon Gekko (do famoso filme de 1987) e suas corretoras de valores, que servem de parâmetro ao novo financismo mundo afora. A globalização chegou.
Bonequinho bilionário
Estamos nos anos 90, a olhar para um incógnito 2000. O capitalismo descobre uma coisa interessantíssima: o bonequinho milionário do jogo de tabuleiro não precisa mais de galpões cheio de máquinas barulhentas e custosas, nem assistir do alto aqueles bichinhos da seda de macacão trabalhando em movimentos sincronizados.
Passemos à primeira pessoa: basta colocar pedacinhos do meu capital em várias fabriquinhas — que eu não vejo nem sei onde estão, às vezes em longínquas partes do planeta —, e assinar uns contratos garantindo a boa empregabilidade de meu rico dinheirinho. Melhor: contrato alguém que subcontrata outro alguém para garantir, que sub-sub-contrata outro alguém para securitizar meu dinheiro.
Então eu, o novo bonequinho, não vejo mais cara de ninguém: meus assessores cuidam de tudo e me trazem bonitos relatórios bem encadernadinhos. Posso ler os indicadores na banheira enquanto relaxo. Eis estabelecido o fluxo de capitais na prática, a dinâmica da economia globalizada. Opositores esquisitos chamarão a isso de neoliberalismo.
Então, meu rico dinheirinho que antes era raiz, tronco e ramos agora é apenas a fruta, a parte que me interessa da árvore. Devoro a polpa, jogo fora a casca, cuspo o caroço: agora muitas empresas dependem de mim, mas eu não dependo de nenhuma delas em separado: se uma quebrar, outra compensará a perda. Eu concorro comigo mesmo, entende? Eu, novo bonequinho do jogo de tabuleiro, fui capitalista; hoje, sou metacapitalista. Antes eu era milionário; hoje, sou bilionário.
De modo que agora posso pensar em outras coisas enquanto meu dinheiro trabalha ao redor do mundo. Posso pensar naquilo que discordo na sociedade, por exemplo; posso consertar distorções. Então, preciso ter uma ética, gosto da palavra. Não bondade, honestidade, simplicidade, sinceridade: ética. Uma palavra cujo significado eu posso definir, que quer dizer isso hoje e aquilo amanhã. Depende do que eu achar ou precisar no momento.
Posso criar fundações que fomentem certas ideias, financiem projetos interessantes a mim, ao fim e ao cabo. Projetos que façam do mundo o que eu, bonequinho, penso que deve ser — ou que pensem por mim, e trabalhem para tornar as novas ideias uma realidade concreta enquanto eu os subsidio no processo.
Neste ponto, aquela classe média que antes era solução, hoje é problema: porque o modelo foi tão bem-sucedido e expandiu-se tanto por tantos países, que hoje todos querem sê-lo! Só que eu, o bonequinho bilionário, não quero mais fabricar carros e geladeiras. Não há onde enfiar tanto produto obsoleto, e os orientais há muito aprenderam a fazer itens iguais e mais baratos. Além do que, essa classe custa muito em matéria de salários e impostos. E sabem demais: as escolas estão cheias formando aos montes, os bairros saturados, os galpões abandonados. Olho para isso e vejo meu dinheiro protegido, multiplicando-se a partir de si mesmo no maravilhoso financismo globalizado. Para quê vou me preocupar?
A extinção do modelo
Então, não resta outra alternativa a não ser destruir o velho modelo: se antes a criação de famílias era encorajada, agora deve ser desencorajada na raiz. Se antes homem e mulher se uniam em matrimônio, hoje mulher e homem devem rejeitar o matrimônio. Se antes a vida parecia lógica como uma esfera, hoje é preciso despertar tantos anti-modelos quantos sejam necessários, uns sucedendo aos outros, de modo que a confusão gere um tipo de paralisia e desistência prévia nos convencionais.
Dessa forma, tudo parecerá aceitável, toda distorção será recebida sem contestação, exceto o próprio modelo. Sem dúvida, aqueles criados sob a égide do modelo sofrerão as dores da nostalgia, mas as novas gerações já surgirão num mundo desmodelado, onde o padrão é não adotar padrões: a antiga normalidade será entendida como imposição arbitrária, e todas as mentes devem ser um tipo de recipiente vazio e receptivo. Todo anti-modelo será um novo modelo contra o modelo, aquele que engendrou a antiga classe média que criamos no passado.
Eu, o bonequinho, não preciso mais de fregueses para comprar fogões e sofás que afinal não fabrico. Não preciso daquela gente. Preciso apenas que meu dinheiro se multiplique numa tela cheia de gráficos, e que cada país compense a perda eventual do outro país. Em suma, preciso de números que façam mais números. Quanto a seres humanos, desprezo-os, troco-os por softwares; preciso apenas de um punhado que cumpra a função numérica, e não de operários a lotar fábricas. Para isto já existe a China, que mal sei onde fica.
Entretanto, é incrível que, se o modelo não exista mais nem nas músicas comerciais de hoje em dia, ela ainda subsista como classe consumidora. Mesmo os grupos que elegi como anti-modelos querem ser como o modelo, sonham viver como o modelo: justo aquela classe média, hoje tão rejeitada por poderes públicos e privados, continua paradoxalmente desejada, embora não na essência, que se perdeu. De resto, a classe ainda insiste em reagir e vir à tona, na política e na religião, ambas as modalidades avalizadas pela tal de democracia.
Eu disse democracia? Sim, ela tornou-se um problema também, sabemos disso. Mas estamos trabalhando, senhores. Como sempre, vamos continuar investindo. Então, nos aguardem...
Carteirada
Surge um escritor ou escritora na cena, e lá vou eu saber quem é e o que já escreveu, se escreveu: se não um livro anterior, ao menos um blog, algo do tipo.
Então fuço e acho: Fulano de Tal é doutor na Universidade Chics&Snobs, Mestre em Literatura pelo Instituto Superior Elegantérrimo, catedrático na Instituição Supimpa e chefe de departamento no Observatório de Altos Estudos da Universidade Bacanuda do Estrangeiro.
Uau...
Na hora, quero logo meu cavalinho da chuva, pois, aos 44 do primeiro tempo, jamais teria tantas medalhas dependuradas no peito assim. Se começasse agora, talvez alcançasse algo ali pelos 70 anos, com os reumatismos a doer-me as juntas.
Pois é, seria bom e ótimo que a tonelada de insígnias e credenciais correspondessem a boa literatura, mas frequentemente não é o que acontece.
Nada contra o acadêmico em questão, veja bem. Não sou tolo, juro. É que me parece duas coisinhas aí, tenho a leve suspeita: primeiro, a óbvia, é que o sujeito e a sujeita compensem uma escrita não lá muito satisfatória com a brasileiríssima carteirada: como se, a um possível muxoxo do leitor o distinto autor perguntasse, de cima para baixo, “você sabe com quem está falando?”
Hum...
A segunda coisa é que as maravilhosas grandes editoras parecem gostar de autores que tenham uma Kombi de diplomas, de modo que a casa considere, com naturalidade de lei da gravidade, que uma Kombi de diplomas signifique de olhos fechados boa literatura, assim, de modo cartesiano: pá-pum.
Já foi o contrário no Brasil. Sim, sempre houve uns bacharéis e doutores a escrever e a publicar, claro, claro; contudo, jamais houve a correlação direta entre escritor e doutor, que eu saiba; havia ainda espaço para um — perdão — um talento literário: ainda que o talentoso e a talentosa fossem, quando muito, uns aplicados alunos do colégio, uns esforçados.
Pois em mim ocorre o oposto, lamento: de tanto me decepcionar nessa coisa de escritor-carteirudo, sempre que vejo de cara a penca de títulos dependurada, já aposto que lá vem má literatura: não porque títulos impliquem em escrita ruim necessariamente (é o que estou dizendo desde o início), mas porque a necessidade de “desembrulhar o currículo” talvez sirva de tapume para a ruindade no serviço.
Uma boa e velha malandragem, no fim das contas. Nada de novo debaixo do sol.
* * *
Rapidinhas
Uma mulher pode amar a um homem, mas nunca pelo que ele é em essência. Em 99% dos casos, a mulher ama o homem pelo que ela quer que ele seja. No 1% restante, ama por ele já ser o que ela sempre quis que fosse. Mulheres amam o próprio amor.
Não há herói por incentivo: heróis fazem seu heroísmo mesmo sem incentivo algum; heróis arrancam forças de alguma fonte secreta ou dentro de si mesmos. Heróis incentivados são uns medíocres, postiços, falsos heróis na verdade.
A melhor maneira de se libertar de uma inveja é assumi-la. Tão logo se assume a inveja, ocorre um milagre: ela imediatamente dá lugar à admiração. Donde se conclui que a inveja é, antes de tudo, relutância em admirar.
Não raro, há filhos bonitos de pais feios: uma espécie de conserto divino, que faz dar certo nos filhos o que deu errado nos pais. Uma misericórdia divina.
Carlos Heitor Cony, lembrei. Um dos melhores prosadores do país. Voltemos a ler, a comentar.
De uma escritora da moda: “ficção é mentira, eu minto na ficção”. Não sabes em que terreno pisas, senhora. Ficção não é mentira, é imaginação. Ficção não é fato, é verossimilhança. Aos manuais, senhora.
Restauremos a palavra “classe” como distinção pessoal, como elã. Como na frase “Astrud Gilberto tinha classe.” E como tinha a Astrud, era mesmo impressionante. Com todo o respeito, senhor João Gilberto, o senhor foi um homem de muita sorte.
* * *
Anti-carteirada
Não gosto de comemorar (raros, raríssimos) triunfos: não exibo, não ostento, não promovo. Se precisar, falo baixinho.
Fiz marketing à toa, não sei me vender. Tenho receio de, ao declarar algum êxito, o fato mesmo de o declarar mova as engrenagens na direção contrária. Tendo a ficar calado e um pouco espantado no êxito episódico, desconfio dele; como se no fundo não me fosse legítimo ter ou alcançar aquela coisa.
Como o mundo não me deve nada (não sou woke), então recebo a dádiva rarefeita com alegria discreta, sem alardear.
A etiqueta social e os costumes elegantes diz que não estou certo nisso. Provavelmente não estou. Faltei nessa aula.
* * *
Quem disse
“A pior coisa que podemos fazer é deixar que a discussão se torne uma forma de agressão pessoal. Nosso objetivo deve ser sempre o de aprender, esclarecer ideias, não de fazer o outro perder. Nossa regra aqui não deve ser contenciosa ou polêmica. Acima de tudo, devemos lembrar que não há simplesmente nenhuma vantagem em ganhar uma discussão se soubermos que estamos errados.”
— Mortimer J. Adler
*
“Sabemos pouca coisa, mas que temos de nos agarrar ao difícil é uma certeza que não nos abandonará. É bom estar só, porque a solidão é difícil. O fato de uma coisa ser difícil deve ser um motivo a mais para que seja feita.”
— Rainer Maria Rilke
*
“A literatura só se corrompe na medida em que se corrompem os seres humanos.”
— Goethe
Direto do almoxarifado
Novidade: Prosaica Podcast
Link
Astrud Gilberto (The Independent)
Amiga e amigo inscrito, nesta newsletter tento entregar um conteúdo de qualidade e valor, inédito, de um tipo que não se vê na grande mídia.
Acredite, produzir um conteúdo assim demanda tempo, pesquisa e muita mão na massa.
Se você entende que este conteúdo agrega valor a você e gosta de recebê-lo gratuitamente em seu e-mail, considere fazer uma contribuição sem compromisso com este trabalho.
Segue abaixo meu código pix (copie e cole):
fernandolimacunha@gmail.com
O valor você decide livremente, tudo bem? Agradeço sua generosidade.








