#34. Nossa literatura e a deles
Uma tentativa de responder a pergunta “o que falta à literatura brasileira?”
EMBORA SEPARADOS POR UMA GERAÇÃO e distanciados por freguesias ideológicas opostas, o escritor José Lins do Rego e o crítico literário Antonio Candido concordam num ponto: falta à literatura brasileira o que falta ao próprio Brasil, isto é, maturidade como povo, como nação; falta-nos uma civilização plenamente desenvolvida no país e, por conseguinte, na literatura nacional.
Em artigo para o jornal Folha da Manhã, em 1944, Antonio Candido opina:
“Nos romances que se publicam todo o dia entre nós, podemos dizer, sem medo, que não encontramos a verdadeira exploração vocabular, a verdadeira aventura da expressão. Por maiores que sejam, os nossos romancistas se contentam com posições já adquiridas, pensando naturalmente que o impulso generoso que os anima supre a rudeza do material. Raramente nos é dado encontrar um escritor que [...] procure estender o domínio do vocábulo sobre regiões mais complexas e mais inexprimíveis, ou fazer da ficção uma forma de conhecimento do mundo e das idéias.”¹
Por sua vez, José Lins do Rego explica nossa literatura com toda a peculiaridade que lhe cabe, numa carta de 1957:
“[O escritor francês André] Gide fala para literaturas de maturidade, e nós no Brasil [...] andamos em perigosa adolescência. O que é remédio para quem já deu um Montaigne não será dieta para quem carece de terra, de sol, de substâncias outras que organismos saturados repelem. Estamos nós brasileiros em tempo de muito precisar de viver, à grande.”²
E complementa:
“[...] nós no Brasil ainda estamos em plena selva. Ainda há muito trabalho para bandeirantes, para desbravadores, para gente dura e rude.”
Enquanto os grandes dão diagnósticos, cá de nossa choupana reclamamos do Brasil e da brasilidade em geral; eis um de nossos esportes preferidos, que de tão praticado já nos acostumamos a ele tanto quanto o Maracanã acostumou-se a vaiar. Mas, se pararmos para pensar no que dizem Antonio Candido e José Lins, será difícil discordar de ambas as opiniões a respeito do tema “o que falta à literatura brasileira”.
Qual é o teor da reclamação, exatamente? Que falta é essa de que sofre a nossa literatura? Trata-se de certa queixa recorrente de que não temos a grande tragédia brasileira, o grande romance, o grande épico. Não são poucos os que apontam a terrível lacuna da qual é tão fácil reclamar quanto é difícil cravar com exatidão. Consideradas todas as coisas, não chegaremos a conclusões muito diferentes de Lins e Candido, mas podemos ir um pouco além, ainda concordando com eles.
Gênese literária
Basta ter em mente que as naus atracaram em Pindorama há coisa de cinco séculos. Isso é um nada historicamente falando. Enquanto Cabral por aqui aportava, uma Europa lutava de forma sangrenta para se manter cristã e não sucumbir aos maometanos que investiam contra ela no Mediterrâneo. Enquanto a brasilidade germinava, o velho continente construía naus e desbravava oceanos.
De modo que podemos falar de nossa ausência de maturidade histórica. Uma herança como essa recai sobre os indivíduos de uma dada sociedade, fazendo-os trazer em si o fragmento particular de todo peso civilizacional. Este pedacinho de bagagem histórica em cada um influenciará a maneira de ver e entender todas as coisas, e se irradiará a partir de um centro individual; depois, será transmitida via arte e cultura, numa tácita cadeia de transmissão. Então, o elo civilizacional e histórico unirá o artista e o homem comum, numa relação de estímulo e resposta, sendo ambos partícipes do mesmo legado cultural: mais do que saber, eles são e vivem aquilo. O significado profundo faz-se presença real, no ser, no ato da contemplação.
Significa dizer que, numa sociedade amadurecida como a européia, a maneira com que os indivíduos lidam com os dramas, sofrimentos e as contradições da existência terão certo peso inevitável, uma profundidade. O artista dessa sociedade será o tipo sensível que capta os sinais complexos no ar, digamos, e os transfere à própria arte, seja a literatura, a pintura, a música, o teatro, a escultura etc. É fatal que as representações artísticas tenham aí a densidade de quem mergulhou no caos histórico e sobreviveu, como quem subiu aos céus, desceu às profundezas e veio à tona novamente; agora, o artista ressurge para recontar a história aos semelhantes, por meio de uma arte elaborada, vinda de um espírito elaborado.
No caso da literatura, é consenso que a melhor produção requererá do escritor uma experiência de vida que lhe permita ter uma visão mais autêntica das coisas. Somada à técnica que a arte demanda, pode-se criar grandes histórias e desenvolver personagens grandiosos. Como nas parábolas de Cristo, a ficção ilustrará uma série de situações humanas possíveis, e a complexidade da narrativa se dará no mesmo nível de autoconsciência de quem escreve. O resultado refletirá uma espécie de autoexame indireto, ou se manifestará no duo indivíduo versus sociedade ou vice-versa. O texto transmite a visão singular do escritor, que, pela identificação com o semelhante que lê, influencia o imaginário deste. Dizendo de forma simples, haverá uma profunda comunicação entre almas.
Nós e eles
Voltando ao nosso lado do Atlântico, lemos por aqui a chamada literatura universal que nos chega e ficamos embasbacados com tamanha grandeza e amplitude de visão humana, em especial nas obras clássicas. Lemos os grandes livros e somos lidos por eles, parece. Ao mesmo tempo, em nosso quintal, ainda articulamos nossas visões com muito bibelô estilístico porque ainda gostamos muito de soar mais bonitos que convincentes, ou achamos que seremos convincentes se formos rebuscados. Estamos nos anos 1800 e somos um tiquinho urbanizados; temos por aqui a presença d’el Rei; vivemos ainda um turbilhão de novidades, sem entender bem o que ser, de modo que tentamos parecer ao modo tropical os modelos que nos chegam, tendo uma pomposa realeza europeia em meio à flora e a fauna.
Somos um povo inaugural a essa altura. Já temos nossos sofrimentos, sem dúvida, mas não elaboramos tal sofrimento o suficiente do lado de dentro a ponto de compormos grandes tragédias. Para descrever, é preciso absorver e superar. Produzimos com estaturazinha juvenil, entre erros e acertos, enquanto, do lado de lá, uma civilização de cabelos brancos repassa suas memórias, julgando-as com gravidade.
É botar tudo isso na balança e vermos como ainda somos embriões civilizacionais aqui, mesmo hoje, nos dois mil e poucos anos que correm mundo afora. Nós, porém, mal saímos do ano quinhentos.
Mundo pequeno
Claro, o tempo não é linear como uma fita métrica. Nos últimos dois séculos, pelo menos, o conhecimento humano atingiu progressos espantosos, e o planeta como que encolheu-se: tantas foram as descobertas, foi tanta ciência e tecnologia a espalhar-se mundo afora que isso permitiu a nós, brasileiros, aplicar num par de décadas aquilo que do lado de lá sedimentou-se ao longo de milênios. Temos luxos que realezas jamais tiveram no passado: água tratada, energia elétrica e sistemas de esgoto, sem contar a alimentação disponível e razoavelmente abundante.
Entretanto, tal possibilidade não compensa as desvantagens da inexperiência. Do ponto de vista da arte, nossa juventude civilizacional ainda implica em erros infantis na execução, em faltas pueris de domínio e proficiência. Não no todo, obviamente. Mas no plano maior, mal nos organizamos como nação e, além de tudo, ainda reincidimos num caráter geral de tipo imitativo ou emulativo, visivelmente de segunda mão em muitos aspectos, especialmente na hora de criar.
Se a literatura deles começa com Homero, a nossa nasce em Camões. Calcule-se daí a distância temporal que separa ambos — o grego e o português — e veja-se o que ainda nos falta de tarimba e cancha no esporte literatura. Preto no branco, isso perfaz um total de 2.452 anos de distância. E o turbilhão histórico que ocorreu no intervalo? Não é moleza.
Mas talvez o argumento acima pareça justificar as falhas do presente, mesmo as propositais e relapsas, de nossa literatura. Nem tanto: todas as desculpas seriam justificáveis se não recebêssemos aqui todo um patrimônio cultural pronto e erigido ao longo de milênios. Somos, queira-se ou não, filhotes da civilização européia, judaico-cristã e tudo o mais. Então, não inauguramos uma arte literária inteiramente nossa do zero. Aliás, a literatura por aqui nasce quatro dias depois da primeira missa, na carta de Pero Vaz de Caminha (1º de maio de 1500). A literatura brasileira nasce junto com o Brasil, bastante amadurecida na linguagem, na forma e no conteúdo.
Tradição sem escola
Embora historicamente jovem, o tamanho da literatura brasileira tem uma vastidão desconhecida, não totalmente catalogada ao que se saiba. Quantos livros ela tem no total? Decerto os mais escolados o saberão numa extensão bem mais ampla e variada que o cânone das escolas; mas as obras que chegam a cada brasileiro não passam de uma ínfima e repetitiva fração.
Nessa pequenina parcela, reina absoluto nosso Joaquim Maria Machado de Assis (com justiça; desnecessário elencar os méritos literários de nosso maior escritor, de alcance universal). Mas e quanto aos outros? Deles sabemos umas dezenas de nomes, incluindo aí nossa poesia, gênero em que sempre fomos mais competentes do que na prosa.
Qual é realmente nosso tamanho literário? Sem a informação é impossível julgar. Pegue-se as obras apontadas como modelares nas aulas de literatura — aquelas que melhor representam as chamadas escolas literárias entre nós —, e veja-se como além daquilo nada se menciona. Ultrapassar as listinhas requer uma operação quase arqueológica, ou, opção mais à mão, recorrer à Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira, de Otto Maria Carpeaux: o austríaco interessou-se pelo nosso problema, incumbiu-se dele e nos ajudou, numa tarefa que cabia a nós em primeiro lugar. Gratidão a ele, vergonha a nós.
De maneira que podemos falar numa tradição literária brasileira, isto é, num conjunto de produções que nos chegaram ao longo do tempo. No entanto, não conhecemos uma escola literária brasileira, não ao menos como a francesa, a inglesa, a alemã, ou mesmo nossa parente, a portuguesa.
Em primeiro lugar, isto se deve aos motivos mencionados no início: falta de “velhice” civilizacional e portanto uma confluência das percepções, de visões mais ou menos unívocas do mundo e da vida do país, além de um jeito algo familiar de narrar. Decerto temos lá nossos maneirismos regionais, mas ainda não achamos nossa marca singular, um modo próprio de ver, uma voz inconfundível, uma característica personalizada. Já temos isso na música, com efeito. Na literatura, porém, ainda fagocitamos influências de modo imitativo. E, nas demais artes, nem assim.
O primo rico
De sorte que, se temos todo um edifício de obras literárias erguido por aqui, ele se encontra com a maior parte enterrada na areia como certas pirâmides egípcias. Daquilo que nos chega, seu número nem se compara à produção de uns Estados Unidos, por exemplo, país com praticamente nossa idade. Neste particular, a principal diferença entre nós e eles, talvez, esteja no cuidado e respeito que os americanos devotam a seus autores, e nós, não; ficamos na uma-dúzia sempre incensada e esquecemos o resto trancado no porão.
A situação piora se imaginarmos que os entendidos, os guardiões e curadores negligenciam por motivos mesquinhos, seja por conflito de interesses, seja por desprezos grupais, ou pela pura indolência, mesmo. O problema daqui é que não temos o ingrediente de lá: sentimento de irmandade como nação. Somos sim um país, falamos a mesmíssima língua, damo-nos mais ou menos bem como povo, porém não dividimos a consanguinidade. Nos atemos sempre ao sentimento imediato e damos as costas ao simbólico, ao perene, ao que realmente importa: a identidade brasileira de ontem, hoje e amanhã. Não nos importamos em simplesmente transmitir o legado.
A brincadeira modernista
Se houve um conjunto robusto de produções literárias ao longo do século 18 e 19, especialmente, até meados do 20 sofremos os efeitos da ilusão modernista e os pretensos rompimentos de garoto rebelde com a tradição lusa. Feitas as contas, isso nos acarretou toda uma fragmentação, uma confusão subsequente. Poderíamos abrasileirar nossa produção sem romper com nada, e melhorar continuando. Mas não.
A discussão é longa e rende polêmicas ainda hoje. O fato é que, da segunda metade do século passado em diante, nossa literatura sofreu um processo de descontinuidades e tentativas isoladas, além do predomínio de facções e grupos a dominar os esparsos meios de difusão existentes com objetivos político-ideológicos.
Enquanto isso, a criação literária jamais foi incentivada enquanto tal no Brasil. A descoberta da melhor leitura e o despertar para a escrita sempre foi particular e acidental no país, jamais ampla e programática, sobretudo nas comunidades, de onde viria a brasilidade mais genuína. E a produção literária sempre veio como coisa lateral aos escritores, ora em partalelo a uma carreira acadêmica, ora a um cargo público; sempre como atividade complementar no mais das vezes. Resultado: sempre tivemos no país escritores porque escrevem, mas não escritores como profissão. No mundo desenvolvido, escritor é ofício corrente como professor, arquiteto, dentista, engenheiro, comerciante.
Hoje em dia
Chegamos ao presente. Nossa literatura anda na base do “vamos levando”, como se diz; não estamos numa situação terrível, muito menos maravilhosa. Patinamos. Apesar dos problemas — a falta de leitores sendo o principal deles —, a criação literária brasileira ainda respira, mas está acamada. Ainda por cima somos espicaçados por dardos e setas políticas desde o estrangeiro, flechas woke a acertar as editoras em cheio, sem cessar; antes disso, há uma usurpação universitária de tipo burocrática e cartorial, desprovida de talento e inepta quanto à livre criação artística.
Contudo, por mais contraditório que pareça, nunca se tratou tanto de literatura por aqui. Ao menos no sentido quantitativo, não qualitativo. E isso se deve a meios como este, o digital, que aproxima e aglutina os interesses e afinidades via algoritmo. A tecnologia reúne as afinidades e pessoas “certas”, embora distantes e anônimas. Não é exatamente uma maravilha, mas o meio digital tem possibilitado superar a sisudez da leitura escolar. A livre discussão nas redes sociais tem dado ao leitor comum a possibilidade de ler por afinidades, com toda a liberdade.
Quanto às novas publicações, nunca se escreveu tanto e por tantas editoras pequenas, verdadeiras batalhadoras. Verdade que, se olharmos no detalhe, veremos ainda muitos equívocos; há por exemplo o incensamento de uma pseudoliteratura engajada e ativista concentrada nas grandes editoras, já mencionado. Também anda muito em falta uma crítica literária robusta, séria e independente, que vá ao espírito da arte mesma e não se ocupe de propaganda político-ideológica importada. De resto, sobram afagos e tapinhas nas costas, sobra o eu-e-minha-patota; e abundam nos poucos cadernos culturais em circulação uns press releases disfarçados de resenha crítica.
Do lado de fora do establishment, isso tudo provoca um dispersamento criativo, resultando na falta de conjunto do nosso panorama literário. Sem contar a recusa irracional das grandes editoras a garimpar talentos literários no país. As maiores editoras, divididas entre o medo das patrulhas e a adesão acrítica a ideologias progressistas, escolhem publicar por interesses alienígenas à arte, como cor da pele e gênero sexual.
Pelos flancos, resta aos novos (e genuínos) autores esforçarem-se e insistirem via associação, às vezes pagando a própria tiragem do bolso e fazendo a própria divulgação nas redes sociais. É o modo que resta para não desistir de criar boas histórias e levá-las ao maior público possível, via internet.
Seja como for, a arte genuína dá seu jeito como pode, e a literatura brasileira, sempre pisando em solo pedregoso, continua a avançar.
Drops
Publicar o primeiro livro é como no pinball. Nada acontece antes de disparar a bolinha, mas uma vez a bolinha disparada ela vai batendo, luzinhas se acendem, a mesa faz barulhinhos, cada toque rende pontos, várias coisas acontecem com a bolinha depois do disparo. Mas quem dispara não pode deixar a bolinha cair, senão perde o jogo.
O pobre tem sonhos. O principal é melhorar de vida, subir à classe média, ter alguns confortos nunca usufruídos. Isso inclui certo estilo de vida de… classe média. Aí uma Rede Globo acha que pobre quer se ver de cara sofrida nas novelas e diz “olhe você retratado aqui, caro pobre, ainda por cima suarento e gorduroso.” Sem escape, o pobre zapeia o controle e muda para a Record do bispo.
Quando moleque, eu gostava muito de futebol. Queria entrar numa escolinha e fazer teste num time. Pedi a meu pai e ele disse “não, você não leva jeito pra futebol”. Destruiu-me ali o velho, mas ele estava certo. Eu não levava jeito mesmo. Então fui procurar outras coisas pra aprender. De modo que foi culpa de meu pai, amigo leitor.
Uma tática feminina: tratar a condição masculina como insuperavelmente campeã no atacado para poder dispensar-se de qualquer consideração pelo homem no varejo.
Se Aristóteles estivesse na ativa hoje, a universidade brasileira diria que ele não é filósofo: “o autodeclarado filósofo Aristóteles”, etc.
Vida amorosa num flash
Beijei uma menina na escola. Fui mais pedido em namoro do que pedi. Fui assediado por um gay. Gostei de uma moça que me rejeitou. Gostei de outra moça que me aceitou: casei. Crentes, éramos virgens como o casalzinho de A Lagoa Azul. Mergulho na Lagoa Azul há 27 anos. Eis a minha vida amorosa.
Quem disse
“O perigo para o intelectual, na luta política, está na perda da serenidade tanto quanto na traição à boa causa. Se ao chefete de bairro é permitido deixar-se guiar cegamente, aos escritores, cuja inteligência se condicionou na prática de uma crítica construtiva, a atitude humilhante de obediência fanática não assenta direito. Sua função é mais elevada e de maior responsabilidade.”
— Sergio Milliet
*
“Alguém, há tempos, achou esquisito que eu afirmasse não ser um escritor, e sim uma atmosfera. Há dias em que me sinto um personagem, e não eu mesmo. Alguém está contando uma história em que sou um dos acessórios.”
— Lúcio Cardoso
*
“Eles têm a imprensa, eles têm a bolsa de valores — e agora também o subconsciente!”
— Karl Kraus
Direto do almoxarifado
Bibliografia
¹NESTROVSKI, Arthur (org.). 80 autores em 80 anos de Folha. 1. ed. São Paulo: Publifolha, 2001.
²REGO, José Lins do. Dias idos e vividos (antologia) / seleção, organização e estudos críticos de Ivan Junqueira. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1981.
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