#35. Nascidos e não-nascidos para ler
A leitura por prazer e livre vontade é a marca do verdadeiro leitor
UMA ATIVIDADE SINGULAR, uma ação encerrada em si mesma: assim é a leitura. Como dormir ou fazer sexo, ler exige toda a presença física e mental ao ato, sem distrações. Há, por outro lado, uma certa noção de que a leitura pode ser uma atitude lateral e acessória, perfeitamente conjugada a alguma outra prioritária ou mais urgente. Por causa dessa noção errônea, a leitura não se eleva ao merecido status de hábito no Brasil, mas remete a certo capricho, logo, algo perfeitamente recusável ou adiável ad infinitum: tudo bem não ler hoje, pode-se fazê-lo noutro dia ou quando houver oportunidade. E nunca se lê nada, no fim das contas.
A leitura verdadeira, profunda e substancial, implica sempre num ato voluntário, numa busca movida por interesse pessoal, por gosto e prazer; e não se trata daquela leitura instrumental ou compulsória da escola, do trabalho, nem mesmo da leitura coletiva da religião.
Todos conhecemos alguém que diria, se perguntado a respeito, “é, de fato eu preciso ler mais”. Tal confissão, no entanto, fica pelo dito e não cai ao coração. Essa pessoa reconhece a falta enquanto vai tranquilamente protelando a leitura; verdade seja dita, no fundo ela não está realmente preocupada em arranjar um livrinho qualquer para desenferrujar o cérebro. Essa é a regra geral. O aparente reconhecimento da falha, portanto, é só uma desculpa útil para não assumir o vexame de dizer algo como “não gosto de ler” ou “leitura não me interessa”. Pega mal falar uma coisa dessas em público, parece confissão de burrice; e não há nada que incomode mais do que parecer burro perante os outros. Já o sê-lo de fato é outra história.
Se considerarmos na população brasileira quem voluntariamente busca pelo livro, veremos que o número beira o quase inexistente; evidente que, num país de 212 milhões de habitantes, este quase inexistente representa, em números absolutos, umas dezenas de milhares de pessoas. E são justamente essas milhares de pessoas que comporão o total de leitores do território — leitor no sentido forte da palavra. É para elas que todas as editoras de literatura, grandes e pequenas, trabalham todos os dias no país.
Enquanto isso, toda uma população vive à margem de qualquer alimento do intelecto por meio da leitura. Muito provavelmente essa massa gigantesca de pessoas se lembrará do objeto livro se alguém perguntar “qual o último livro que você leu?”. Pode-se apostar que ela se lembrará do elemento livro no instante mesmo da pergunta. Antes, nem pensava nisso. Depois, idem.
Jogo limpo
Dia após dia, os profissionais do mercado editorial tentam tornar o bicho-livro amigável a esta enorme população refratária ao ato de ler. A justificativa faz sentido, é preciso atrair novos leitores. No entanto, parece que a estratégia não tem dado muito certo, como veremos. Ademais, como o contato com a leitura na escola pode deixar um gosto amargo e até traumatizante nos alunos, o mercado editorial tenta compensar a má impressão inicial com eventos convidativos, apelos amigáveis e simpatias sem fim. Talvez funcione um pouco e cause no máximo um efeito pontual e momentâneo.
Como este é um artigo de opinião, vou direto ao ponto: acredito e defendo que a leitura exige uma predisposição interior, um pendor íntimo em cada pessoa. Não é todo mundo que o tem, portanto. Deixemos o espírito democrático descansar um pouquinho para constatar o seguinte: há quem tenha nascido para ler e quem não tenha nascido para ler.
A frase pode causar arrepios às alminhas mais igualitárias, mas elas podem ficar descansadas. Evidente que todos devem aprender a ler na escola, ser apresentado aos textos e livros, mas ali se aprende a leitura como instrumento, ou seja, uma competência mínima sem a qual simplesmente não se vive em sociedade. De placas de rua a e-mails comerciais, de bilhetinhos na porta da geladeira a mensagens no smartphone, a leitura básica de tipo escolar deverá estar presente na coletividade e entrar em ação sempre que necessário. É nesse sentido que a leitura é para todos, caro democrata, e sonegar tal ensino configuraria um crime, nada menos. Nisso o senhor está absolutamente correto.
Todavia, há outro tipo de leitura, tão diferente e especial que mereceria um termo melhor que a diferenciasse: uma imersão ou mergulho no código textual, literário especialmente, com o fim de nutrir o entendimento, edificar o espírito, instigar a imaginação, despertar a reflexão etc. Este ato que nada tem a ver com aquela leitura prática já referida, isto é, a leitura como identificação de palavras e sentenças curtas para fins imediatos. Esta leitura por prazer é muito mais rara e particularizada; ela brota da personalidade individual, de uma inclinação natural inexplicável — algo espontâneo e incontrolável, portanto. O tipo de pessoa que tem fome de leitura, conhecem? A maioria não é assim.
Há ainda um detalhe que pode parecer bobo à primeira vista, mas não é, de maneira alguma: o leitor por prazer também gosta do objeto livro, gosta de portá-lo, de tê-lo nas mãos. Funciona como um amigo sempre disponível, esteja na estante ou no leitor eletrônico. Não raro, muito antes de decifrar o código da linguagem e absorver a mensagem ali contida, este leitor quer pegar e tatear o livro, folheá-lo, olhá-lo, senti-lo, e por fim, lê-lo. No leitor por prazer há uma simbiose entre absorver o recado das páginas e ter o livro nas mãos.
Predisposição versus indisposição
Minha mãe conhecia uma senhora que carregava consigo uma pequena Bíblia com zíper sempre que ia à igreja, embora não soubesse ler. Perguntada, ela dizia “um dia vou aprender a ler a minha Bíblia, em nome de Jesus.” Quando surgiu um cursinho de alfabetização na igreja, ela se matriculou, cursou, e foi alfabetizada. Antes disso, ela dizia achar bonito carregar a Bíblia. Quer dizer, mesmo sem saber ler, ela nascera para ler, era uma leitora de direito antes de o ser de fato — antes mesmo de ser alfabetizada. É disso que se trata nascer para ler.
De minha parte, durante muito tempo acreditei que todo mundo tinha uma terra fértil dentro de si e que bastava plantar a boa semente para ver a planta da leitura crescer e dar frutos. Hoje, depois de muito observar — e me desapontar —, não creio mais que funcione assim. Mudei de opinião ao notar que, via de regra, enquanto a pessoa interessada em ler dá algum jeito para isso, não importa a dificuldade enfrentada, a outra, a indisposta a ler, não lerá nem mesmo com toda facilidade e disponibilidade ao longo da vida.
Ambas aprenderam a ler, tanto a pessoa que nasceu para a leitura como a que não nasceu. A que nasceu terá uma necessidade interna, como se uma voz misteriosa vinda de dentro a impelisse e a convocasse à leitura; já a outra viverá sem ler, exceto no que for inescapável. E isso nada tem a ver com classe social: há exímios leitores que são pobres e não-leitores que são bem remediados ou ricos e que estudaram nos melhores colégios.
Sem dúvida que o livro deve estar disponível e acessível a todos, quem seria contra uma coisa dessas? Também é verdade que muitas pessoas predispostas a ler podem enfrentar circunstâncias difíceis, e isto as afasta da leitura que tanto desejam e apreciam. Por exemplo, imagine uma mulher do extremo norte do país que habite uma aldeia ribeirinha na qual se chega apenas de barco. Suponha-se ainda que essa mulher tenha filhos pequenos que demandam seus cuidados dia e noite, e que o acesso impossibilitado de qualquer logística dificulte que os livros cheguem às suas mãos. Talvez essa mãe ribeirinha consiga algum volume usado numa pequena doação trazida por um missionário. Mesmo assim, será algo esporádico e fortuito. Não é difícil supor que ela lerá aquele volume com uma tal dedicação como se fosse a obra mais importante do mundo. Tudo porque ela nasceu para ler.
Situações desse tipo implicam, creio, na importância de se falar de livros e literatura em todos os canais possíveis, especialmente os digitais: para incentivar estes predispostos salpicados território afora — os quais não sabemos quem são, pois não há nenhuma marca de nascença que indique isso — e alimentar seu interesse e afeição pela leitura e os livros. Ocorre que, quando se trata de incentivar algo assim no Brasil, gasta-se energia e tempo precioso com quem simplesmente não se interessa nem irá se interessar. Basta notar como os grandes eventos literários são projetados para dar uma experiência (palavrinha irritante) que disfarce o motivo principal, a leitura, e para que ninguém perceba ser este o propósito número um do evento.
O indisposto a ler é pura perda de tempo, é o que quero dizer. A comunicação livresca não deve ser dirigida a quem despreza os livros, como uma catequização forçada. É fácil detectar a indisposição: a marca número um de quem não se importa com a leitura, e que portanto não está predisposta, são as mil desculpas para não ler, enquanto se sente muito bem por ser assim e só se responde a uma incômoda cobrança.
Darei um exemplo talvez forte. Uma mesmíssima pessoa que conseguiria uma saquinho de cocaína se acaso quisesse — e convenhamos que saquinhos de cocaína não se acham na farmácia da esquina — alegaria não ler por causa do preço dos livros (como se leitura implicasse só em livros novinhos e cheirosos), ou da falta de tempo (como se quem lesse tivesse tempo de sobra), ou se queixaria da dificuldade do texto, ou, numa súbita solidariedade civil, sairia a reivindicar programas de governo — para alguém, para um outro que não seja ela mesma. A pessoa indisposta à leitura fará de tudo, menos assumir “não quero ler e estou bem assim”. Ora, tudo bem não ler do ponto de vista dos direitos humanos. Mas quem de fato quer ler dá um jeito, como o cocainômano consegue a substância do seu vício. Desculpem o exemplo forçado, mas o contraste ilustra bem; ressalte-se que o livro é droga perfeitamente lícita e bem mais facilmente encontrável.
Boas influências
Como não se sabe quem nasceu para ler e quem não nasceu — especialmente na idade escolar, em que o desenvolvimento educacional anda pari passu com o desenvolvimento da própria personalidade — é preciso falar ao público amplo, sem distinções de qualquer natureza. A diferença, a meu ver, está no enfoque a dar, no tipo de abordagem. O enfoque certo atrairá os predispostos, o público que realmente importa.
Enquanto a escola cumpre o papel de ensinar a ler, do lado de fora a leitura deve ser tratada como tema e não como objeto. Significa dizer que, ao invés de apelos a “leia mais, leitura faz bem, descubra o mundo mágico dos livros”, deve-se apresentar o teor deles diretamente, e daí traçar paralelos relacionados à vida real. Há uma sabedoria que só a leitura proporciona, e nisto está a graça da coisa. Esta abordagem vale para todas as idades, diga-se, pois muita gente predisposta a ler está numa idade madura e precisa de incentivo, precisa conhecer gente que se interessa pelo mesmo que ela. Cada fase da vida pede um jeito próprio de lidar, conforme o nível de entendimento.
Seja como for, melhor do que campanhas do tipo leia livros ou eventos literários que tenham de tudo, inclusive livros, é importante tornar o que se lê o próprio assunto, ir direto ao ponto. O que há dentro do livro, afinal? Por exemplo, quando se fala de futebol, ninguém trata o esporte como objeto (“assista futebol, futebol é saúde”), mas diz “o clube tal ganhou de goleada, a torcida adversária se revoltou” etc. Ou seja, o futebol se reporta aos pormenores, à realidade concreta, não é descrito como uma parte separada do todo da vida, algo abstrato e distante. Isso gera interesse pelo esporte e aumenta o público espectador. No caso da leitura, significa não somente falar de uma obra intitulada “O médico e o monstro”, mas falar do médico e do monstro que são encontrados no livro. E o que isso comunica à vida real? As considerações são inúmeras.
O susto
Divulgada no último dia 19 de novembro, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024 (link abaixo) trouxe uma informação alarmante: no período de um ano, o país perdeu 6,7 milhões de leitores. Ainda de acordo com a pesquisa, pela primeira vez o número de não-leitores supera o de leitores, 53% a 47%.
É preciso ler os dados com calma. Primeiro, considera-se leitor até os alunos que acessam os livros didáticos. Entretanto, quando se considera a leitura voluntária, do início ao fim do volume, a taxa cai para 23%. Além disso, os números são apresentados na média, isto é, divide-se o total de leituras pelo total da amostra.
Embora praxe em qualquer pesquisa, dados médios são um problema per se. Se uma pessoa leu 30 livros num ano e outra nenhum livro, ambas leram 15 livros em média. Excelente, certo? Formidável para fins contábeis, afinal 30 livros saíram do estoque e circularam. Entretanto, na essência, será algo totalmente fora da realidade.
Mas a pesquisa traz um dado interessante. Quando perguntado a respeito dos motivos que levam o leitor a procurar pelo livro, os principais são, respectivamente: tema ou assunto (52%), título do livro (27%), autor (20%). Em quarto lugar aparece recomendação de amigos ou familiares (17%) e só em quinto lugar aparece o preço cobrado (15%). Interessante.
O que se pode depreender daí? Em primeiro lugar, que este é justamente o público predisposto, o que realmente importa: ele vai ao livro tão logo tome conhecimento e se interesse por ele. Depois, a temática e a autoria pesam na escolha. Depois, as recomendações influenciam. Ou seja, justamente o que se defende aqui: tratar o teor do livro como assunto, sendo o autor o promotor do assunto (o próprio, se e quando possível), e os conhecidos conversarem a respeito do que lêem, ainda que sejam conhecidos digitais nas redes sociais.
Para além de formados, os verdadeiros leitores precisam ser encontrados. Eles estão predispostos, nasceram para ser leitores. O que eles precisam, além de obviamente saber ler, é do incentivo constante de quem também lê livros com regularidade. Nisso os esforços devem ser concentrados, e não na inglória conversão dos incréus. No fim das contas, só verdadeiros leitores conseguem formar mais leitores. O amor à leitura contagia.
Imaginar e sentir
A ficção foi feita para se imaginar. Hoje em dia, porém, circula muito certa ficção para sentir. Tradicional, a ficção para imaginar é herdeira das obras clássicas, reportam-se a elas, espelham-se na tradição dos grandes mestres. Já a literatura para sentir dispensa a arte e pretende causar sensações, cutucar.
A literatura para sentir está nestes livros fininhos que pipocam todas as semanas e povoam as livrarias. Você abre a página e imagina estar diante de um livro de poemas ou de prosa poética. Longe disso. Há ali um, dois, três parágrafos e o resto da página está em branco. Pobres dos eucaliptos. Então, você olha e pensa “é possível contar uma história assim?”
Não, não é possível, e nem é esse o propósito da ficção para sentir. O que ela pretende é despertar gatilhozinhos na mente mediante joguinhos de palavras, dar alfinetadinhas a cada linha. Uma literatura semialfabetizada, de escritores ineptos para leitores idem. Uma pseudoliteratura sem qualquer proveito.
De resto, não há boas histórias que prescindam das palavras. Desconfiai de grandes espaços em branco abaixo de cada página quando se trata de ficção, estimada leitora, estimado leitor. Estão querendo lhe enganar.
Drops
A melhor maneira de se libertar de uma inveja é assumi-la, diz Baltasar Gracián. Tão logo se assume a inveja, ocorre um milagre, de modo que ela deixa instantaneamente de sê-la e surge em seu lugar a admiração. Donde se conclui que a inveja é uma grossa camada de lama e lodo sobre a admiração. Eu, por exemplo, assumo uma inveja: tenho inveja de todo aquele que obtém de maneira fácil o que eu quero e não obtenho nem de maneira difícil. (Pronto, estou livre.)
Nas relações humanas, do acordo comercial ao relacionamento amoroso, só se pode entregar o que se está disposto a perder, sem esperança de retorno. Se agir assim e no fim das contas não perder, haverá lucro. De maneira que, uma vez entregue, tudo deve ser encarado como perda a priori. Entreguei: aceitei perder. A partir daí, qualquer recompensa mínima representará uma recompensa extraordinária.
Quando houver a total igualdade entre homens e mulheres, o mundo saberá que a mulher não tem nada de especial, igual aos homens. Então, a mulher sairá perdendo de novo. Pensem bem.
Somos pecadores, mas ninguém comete todos os tipos de pecado. Há os pecados que praticamos e os pecados que nunca praticamos. Neste intervalo surge o moralismo: julgamos muito facilmente o pecado alheio que não praticamos, justamente por termos a facilidade de não praticá-lo, enquanto outros não têm.
Os fabulosos intelectuais do passado, de fumarentos cachimbos nos lábios, dentes maravilhosamente estragados, de indescritíveis hálitos.
Quem disse
“No fundo, o homem não deve perguntar qual é o sentido de sua vida, mas na verdade perceber que ela é quem pergunta. Em outras palavras, cada homem é questionado pela vida; à vida, ele só pode responder sendo responsável. ”
— Viktor Frankl
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“Se a gente prefere juntar-se ao rebanho, está imune. Para ser aceito e apreciado, é preciso se anular, fazer-se indistinguível do rebanho.”
— Henry Miller
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“Nada há que melhor manifeste o caráter das pessoas do que aquilo que elas julgam ridículo.”
— Goethe
Direto do almoxarifado
Carta ao jovem liberal (parte 2)
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Ler suas reflexões é tanto um deleite quanto um incômodo. Você escreve com maestria, trazendo à tona os personagens do cotidiano que preferiríamos esquecer, mas também aqueles que precisamos recordar. Obrigado.
Fernando, tua conclusão é a mais verdadeira, a experiência mostra que há pessoas que genuinamente não tem interesse por leitura. Creio que a forma como a leitura é tratada, atualmente, não incentiva a ler. Educadores incentivando a ler por ler, porque seria uma atividade boa em si mesma, não parecem incutir o desejo por ler nas pessoas.
Minha experiência pessoal foi mais ou menos nessa linha. Cresci ouvindo que ler era bom e qualquer coisa que eu lesse já era suficiente (então li, sem terminar, algumas porcarias para adolescentes). Passei praticamente todo o colégio sem ter o hábito de ler um livro. A coisa só foi mudar quando me despertou o interesse por conhecer as coisas, quando eu senti que precisava entender melhor o mundo.
Não sei se faz sentido, mas aquele que tem desejo pelo conhecimento naturalmente será levado à leitura, já que é um meio que excede quase todos os outros em eficiência, além de que há autores que só conhecemos pela escrita. Daí que focar apenas em ler, ler e ler parece um atividade que ao contrário de gerar um desejo, pode até criar um asco.
Excelente texto!