#41. Quem és tu, Machado de Assis?
Como o Bruxo conseguiu revelar tantos personagens sem jamais revelar a si mesmo?
PENSEI NUM TÍTULO POMPOSO para esta crônica ou ensaio (decida o leitor): “o bruxo indevassável”. Imponente, talvez, mas preferi não usá-lo; muito rebarbativo, muito penteadeira da vovó; mas deixo-o aqui para efeito de registro.
Registro também que cansei um pouco do epíteto Bruxo do Cosme Velho para se referir ao nosso maior de todos, Machado de Assis, Joaquim Maria: trata-se de chavão, e todo chavão já foi uma grande sacada algum dia. O problema é que gastaram tanto que a sacada enjoou.
E faço outro registro preambular, este mais prosaico e atualíssimo: é que dias atrás o polivalente escritor e amigo Martim Vasques da Cunha convidou-me para um café na livraria Martins Fontes da avenida Paulista. Lisonjeado, fui; e conversamos por um par de horas.
Dentre os assuntos ali assuntados, disse que releria seu ensaio a respeito de Machado de Assis, justamente o que abre seu livro-tratado A Poeira da Glória,¹ de 2015. Lembro que o lançamento do livro causou algum frisson à época, disse-lhe, e fez espocar intrigas de lá e de cá do espectro dito polarizado, até por quem não o leu. (De resto, sempre acho estranho quando um livro, tão logo seja lançado, suscite combatentes e adversários; embora não seja outro o efeito da polêmica, seja ela qual for. E polêmico não é atribuição minha: entre uma bebericada e outra, o próprio Martim mencionou certo caráter polêmico do seu livro, obra de fôlego raro na produção verde-e-amarela, mais de seiscentas páginas).
Mas o livro de Martim abre logo com Machado de Assis, eu dizia. E minha dúvida para escrever o que vem a seguir — e que me motivou a reabrir o seu livro — foi checar se Martim abordava de alguma maneira uma dúvida que me ocorreu semanas atrás, a seguinte: quem é Machado de Assis? Não queria plagiá-lo; por sorte não o plagiei, do contrário ficaria muito sem assunto para esta edição.
Digo “quem é” e não “quem foi Machado de Assis?”: uso o verbo no presente porque falo de um imortal, mas não trato do grande escritor, o pai das grandes obras, até porque dele tenho ainda muito por descobrir. Falo do homem.
(Embora chavão, noto que o epíteto Bruxo é real: basta citá-lo para que seus maneirismos nos invada o estilo. Paciência, pois; e adiante.)
Então reli o ensaio de Martim, que vai noutra direção, e já li o Machado (a partezinha mais famosa dele, ao menos; há muito dele que preciso ler, ler e reler…). E assinalo o que vem a seguir, algo que me deixou com a pulga atrás da orelha: quem foi ele como pessoa? Quem afinal foi o sr. Joaquim Maria, nascido em 1839 no Morro do Livramento?
É um negócio intrigante, de todo misterioso. Então, para não dar um ponto final exatamente aqui e poder seguir em frente, será preciso arriscar, supor, deduzir umas coisas.
Fim dos registros, desenvolvamos um pouco.
O homem e a obra
Faz um tempinho que notei admirado a facilidade que Machado tinha de observar, absorver e registrar os tipos humanos de seu entorno, de seu bairro, das cercanias da cidade por onde andava, o Rio de Janeiro do Segundo Reinado. Machado foi o mais cosmopolita dos escritores provincianos; aliás, narrava como um dândi dos trópicos, usando à sua maneira um witticism intencional, do melhor estilo inglês — porém, em belo português.
Ao que se saiba, Machado jamais deixou o Estado do Rio, exceto nas menções e alusões distantes, especialmente na crônica jornalística e sempre na forma de comentário: numa delas chega a falar (bem) de uma provinciana São Paulo e de seu fundador, São José de Anchieta (então beato).² Mas fica nisso, nas passagens por alto. O Rio foi o mundo inteiro de Machado, onde o autor viveu, de onde extraiu o máximo e nos deu tudo. E não deixou a desejar.
Basta ler os tipos que Machado apresenta e notar que ali não vão meras invenções mirabolantes de sua rica imaginação. Podia fazê-lo, nenhum problema se o fizesse; entretanto, ele via a fundo, observava a tudo com argúcia, e certamente conversava muito com aquelas pessoas reais que mais tarde viriam a compor os seus tipos, se não biograficamente, ao menos como condensação de características, por assim dizer. Ou seja, aquela gente existiu de fato: se não nos nomes, nas personalidades; se não no todo, nas partes aglutinadas num todo.
Entretanto, como agia o autor no dia a dia? Seria um sonso, o bom moço Joaquim? Ficaria em suas andanças a escutar as falas e a captar os trejeitos, quietinho e atento, para depois depositá-los ao papel, com todo o capricho e invenção imaginativa?
Sua maior genialidade, talvez, foi fazer esta “cola” que unia os pedaços de humanidade atentamente observados e compô-los numa unidade dramática, suas personagens. E ele fez isso valendo-se das mais diversas classes e estratos sociais, o que indica certo trânsito entre as diferentes camadas da população. Outro ponto bastante peculiar.
Para narrar tudo isso ele contou, é claro, com a ajuda de seus mestres do outro lado do Atlântico. De novo, nada que o desabone: mesmo para absorver com proveito é preciso genialidade.
Contudo, se lemos e depois analisamos com calma a obra machadiana, não depreendemos dali seu real temperamento, seus humores particulares, seus sentimentos pessoais a respeito da vida e das coisas. Tudo fica pela camada mais fina, pouco abaixo do translúcido; nada mergulha, nada se revela de modo cristalino, nada se desnuda, nada se entrega: quando algo disso surge em sua obra, apenas sussurra e logo passa; o subjetivo se circunscreve ao enredo, servindo-o, funcionando em prol da história. O homem Machado, porém, não nos dá seu coração, não revela sua alma. Ele se camufla, se oculta, quem sabe preservando seu íntimo; intencionalmente se esconde nos bastidores de seus espetáculos, separando leitor de autor com razoável distância, dando um efeito quase despercebido de superioridade e domínio sobre as próprias criações.
Sem dar a entender, Machado se faz tão onipotente como contido, feito um deus-de-si: não sofre o destino de ninguém que descreve, não insinua as próprias dores na boca de um personagem para que alguém aponte uma vulnerabilidade sua. Discretíssimo, ele nada externa, e faz de seu eu o maior dos segredos, enquanto exerce estrito controle sobre as criações, olhando-as de cima, do éter, sem aparecer nem se revelar.
Nesse sentido, o Bruxo se difere de Lima Barreto, por exemplo, seu conterrâneo mais jovem. Lima Barreto está presente em quase toda a sua obra, sobretudo no magistral “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, um dos maiores romances brasileiros. Isaías Caminha é Lima Barreto sob pseudônimo, ele mesmo representado em forma de ficção e se valendo das liberdades do gênero. Em Lima Barreto, a obra é o homem e vice-versa.
Mesmo no estrangeiro os exemplos abundam. Também lá fora é comum que autores se façam representar nas histórias criadas. Kafka é um deles. Toda a obra de Kafka é ele mesmo e seus dramas, seus dilemas pessoais e familiares. Mesmo o colossal Tolstói se coloca no grandioso Anna Kariênina, de forma transversal, perpassando toda a obra e encerrando o volume, na figura de Liévin. O bom fazendeiro Liévin é Tolstói, talvez um Tolstói como este o gostaria de ser: jovem senhor ajuizado e bem encaminhado, que não cede aos encantos da belíssima Anna. Liévin não se opõe a Anna exatamente, mas coloca-se em paralelo à bela dama. Em certo momento, a mulher, inconformada por não encantá-lo como aos outros, arrisca-se a seduzi-lo, talvez para tirar-lhe a máscara de homem sério. Liévin resiste bravamente, mas por pouco não sucumbe aos encantos de Anna. E não esqueçamos de Flaubert, que abertamente declarou a quem pudesse interessar: “Madame Bovary c’est moi”. Quem foi Emma Bovary, afinal? Flaubert, o próprio. Ele o assume sem rodeios.
Voltando ao ponto, este texto precisa acrescentar algo à questão “quem é Machado?”. Tem de haver um filete mínimo de contribuição a dar aqui.
Dados mínimos de sua biografia temos a um simples clique do mouse. Desnecessário elencar tudo. Sabemos que foi casado (mestiço, casou-se com a jovem Carolina Novais, portuguesa do Porto radicada no Rio, branca). O casal viveria uma vida discreta por longos 35 anos, sem filhos, não transmitindo a ninguém “o legado de nossa miséria”. Epa: Machado falou por Brás Cubas neste “o legado de nossa miséria”? Mas qual miséria? Social, existencial, material? Algo das três? Mas eles tentaram ter filhos? Houvera alguma infertilidade a afligir o casal, de modo a fazê-los desistir? Ninguém sabe, ele pára por aí. Foi longe o suficiente.
Certo, mas e quanto a seu temperamento?
Numa crônica datada de 4 de julho de 1883, Como comportar-se no bonde, Machado fala do então mais novo meio de transporte da cidade, os bondes movidos a energia elétrica: aos poucos ficavam para trás os coches, as charretes, os tílburis movidos a tração animal. Pelo que vai ali, pode-se supor que o escritor tomasse o moderno coletivo muitas vezes por semana, já que descreve os vários tipos que o utilizam todos os dias. Por trás do humor e da conhecida ironia desfiada em seus artigos — regras de comportamento descritas na forma de lei — nota-se uma irritação do mestre ante os maus modos dos usuários, fossem homens ou mulheres:
(...)
Art II — Da posição das pernas:
As pernas devem trazer-se de modo que não constranjam os passageiros do mesmo banco. Não se proíbem formalmente as pernas abertas, mas com a condição de pagar os outros lugares, e fazê-los ocupar por meninas pobres ou viúvas desvalidas, mediante uma pequena gratificação.
(...)
Art. VIII — Das pessoas com morrinha [mau cheiro]:
As pessoas com morrinha podem participar dos bonds indiretamente: ficando na calçada, e vendo-os passar de um lado para outro. Será melhor que morem em rua por onde eles passem, porque então podem vê-los mesmo da janela.
Seria tímido o Machado? Seu crítico e quase antípoda, o poeta e crítico Sílvio Romero, afirma que sim; no entanto, o relato não é muito confiável. O crítico dedica ao escritor todo um livro repleto de azedume intitulado com seu nome (nada menos que “Machado de Assis” é o nome do livro de Sílvio Romero, publicado em 1897).³ Ali, o poeta faz de sua crítica um recado, e de Machado, um alvo. Sem disfarces.
Romero chama-o tímido, de parca educação, entre muitos adjetivos atirados como dardos, embora não chegue a insinuar-lhe alguma covardia (cobardia, grafaria); de modo que depreender algum temperamento machadiano de sua crítica puramente ad hominem — disfarçada sob a desculpa do zelo literário —, seria algo leviano. Embora contemporâneos, Romero conhece Machado de ouvir falar, não se frequentaram de nenhuma forma. Para além da contemporaneidade, Sílvio Romero não faz nada muito diferente de nós, hoje, ao buscar documentos e fazer pesquisas a respeito. E não age com boa vontade, muito menos com distanciamento, embora simule fazê-lo.
Os ativistas estão chegando
Saltemos ao presente século. A universidade, em muitos aspectos uma chaga nacional, apodera-se agora de Machado e busca redefini-lo, em caráter de urgência: ativistas de movimentos afro reclamam seu corpo, exigem sua “desuniversalização” para torná-lo propriedade sua, recriada sob seus termos; um Machado reinventado, conforme os ditames ocultos da Ford Foundation e da Open Society. Mesquinho, no mínimo. O universal Machado de Assis, de grande escritor e negro, é agora grande negro e escritor (e ele foi mestiço). Mais que negro, segundo os reclamantes: quase um africano puro sangue, quase saído de um trágico navio negreiro. Nada mais falso.
Além disso, querem inventar um Machado indignado, um suposto líder engajado nas lutas, um Machado à Malcolm X com punho em riste; a toque de caixa mandam escurecer suas fotos e enlarguecer seu nariz nas imagens para imprimir nos livros das novas gerações: este novíssimo Machado saído da fábrica precisa se africanizar, e sua outra metade da mestiçagem — a branca, portuguesa e europeia da mãe —, precisa desaparecer.
Mas não, Machado não é assim. Porque ele mesmo não o deixaria que assim lhe fizessem: disse preferir a monarquia à república; André Rebouças e Joaquim Nabuco fizeram mais seu gênero que Zumbi dos Palmares. Na verdade, ele não cederia a dicotomias fáceis de qualquer natureza, e nesse sentido, no máximo insinuaria sem aderir. Imaginar um Machado partidário é absurdo: ele riria de tudo isso, afinal, chamando seus atuais reclamantes de doudos, apontando-lhes as muitas parvoíces.
O homem Joaquim Maria, seja o provecto de monóculo ou o jovem sorridente, é pessoa indevassável, não se deixa revelar, muito menos cooptar. Se nas obras retrata os tipos mais realistas — não sem certa dose de pessimismo glaçado com a típica ironia — nada mais nos dá que revele seus afetos pessoais, suas inquietações íntimas, seus anseios profundos.
Se tentasse ir mais longe, não sem certo atrevimento, diria que Machado se faz superficial de propósito: não alude a grandiosidades, seja do bem ou do mal, pois é cético, não acredita nelas no fundo. Com isso, antecipa certa dose de niilismo sem esse nome. Ele alude a bondades e maldades sempre menores, com os pés no chão e sem capacidade de vôo, das quais se pode rir e esquecer no momento seguinte. No fundo, a humanidade não é tão importante nem tão séria quanto se pensa, parece dizer. Machado é acima de tudo um tragicômico.
Os finalmentes
Às vezes, o escritor se rende à sensibilidade, o que sugere alguma experiência pessoal. O conto Missa do Galo é sutil como a seda, todo diáfano e insinuante, envolto em mistério em plena noite de Natal (!). É ler e notar ali um personagem jovem, Inácio, espantado com uma iniciação sexual inesperada, promovida por Conceição, madame sensualíssima e misteriosa de que fala o conto — dos maiores feitos na literatura, diga-se. Mas no conto Machado recusa, furta-se ao aprofundamento e se contenta com a insinuação, o deixar pensar; será que algo mais ocorreu ali? Ele não diz, o que é inquietante; embora, a julgar pelo improvável casal do conto, saberia fazê-lo se assim o desejasse. O clima é todo propício.
Mas e o escritor Joaquim viu mesmo aquela mulher? Quem teria sido? Uma dama casada, importante, cujo marido estivesse ausente? O que teria ocorrido? Por que essa recusa em dizer tudo, ainda que sem explicitar tudo?
Um dia, quem sabe, saibamos mais de Machado que sua conhecida biografia. Talvez descubramos mais de seu coração, alma e mente. Até lá, sua camuflagem continuará a ressaltar o principal, o valor de sua criação literária, que melhor se faz quanto menos dele aparece; ao menos, de forma escancarada. Rendamo-nos, pois, aos feitiços de nosso misterioso Bruxo.
O que é a ficção?
Literatura de ficção é história (ou estória, como se costumava grafar) mais o sentido da história, isto é, as questões que ela apresenta. Sim, é uma definição bastante simplória, mas esta é uma nota e não vamos complicar.
A literatura de ficção causa impressão e depois reflexão, duas operações não necessariamente concomitantes. Então, se pensarmos numa certa utilidade da ficção — muito embora atribuir a ela um caráter utilitário seja nada recomendável a princípio — mas se houver alguma utilidade na ficção será o famoso “mostrar sem dizer”. Este “dizer” fica a cargo da própria imaginação do leitor, depois de trabalhada pela história lida, numa espécie de metabolismo.
Trocando em miúdos: a ficção literária não trata de conceitos prontos, mas de impressões interiores por princípio. Depois fica a reflexão, as metáforas para a vida, os exemplos e ensinamentos todos, etc…
A ficção tem esse poder mágico, esse impacto em nosso imaginário. Não por acaso, Cristo preferiu ensinar por parábolas, fábulas morais: a impressão causada O dispensava de grandes sentenças, de altas elaborações conceituais e, sobretudo, permitia ensinar à gente mais humilde.
De sorte que eis aqui um bom segredo: as histórias falam a todo tipo de gente, de todos os níveis de entendimento. Se o Cristo se valeu do recurso, resta comprovada a sua eficácia.
Embora, de novo, não se deve ir à ficção com qualquer objetivo predeterminado exceto a mera curiosidade a princípio, o simples interesse pela história a ser contada.
A ser assim, é não se preocupar: tudo de bom — aquilo que o pessoal leitor vive dizendo que acontece com quem lê — virá depois, lenta e naturalmente.
Filigranas
Há no Brasil uma literatura do imaginar e outra do sentir. Ninguém avisou porque a crítica sumiu, mas as duas estão em disputa por aqui. A literatura do sentir povoa as grandes casas e se protege da literatura do imaginar. A do imaginar, por sua vez, corre por fora e publica em casas pequenas, para uma confraria. Diga-se, entretanto, que só uma delas é verdadeiramente literatura: a do imaginar, claro; a atualmente semiclandestina, excluída da oficialidade.
Ocasiões há em que dá vontade de suspender imediatamente a leitura em andamento e partir para outro livro, por uma súbita e arbitrária vontade, do nada. Não digo que seja bom nem recomendável, mas acontece.
Baixa produtividade, cabide de emprego, funcionário que só conversa e toma cafezinho, um monte de gente encostada, tudo de conversa mole. Quando vão privatizar a GloboNews?
A sova ideológica que o homem toma todos os dias e por todos os meios fará dele alguém melhor e alguém pior, excluindo-se, infelizmente, o intermediário. Mas à mulher, se sempre coberta de lisonja, proteção verbal, incentivo, estímulo e protagonismo (sob a desculpa de nunca ter tido nada disso, para que se empanturre de barriga cada vez mais cheia), terminará por criar uma criatura narcisista, soberba, infantil, manipuladora, inescrupulosa etc. E essa mulher não conseguirá jamais lidar com nãos. Problemas à vista.
Meu primeiro emprego foi de office-boy num jornalzinho desimportante, em 1993. Às vezes, eu ia comprar foto na Agência Estado, departamento que ficava no fim da redação do Estadão, depois de um corredor enorme. Era um fuzuê a redação, eu via: cheio de gente falando, em pé e sentada, telefone tocando, uma barulheira, um tlec tlec tlec frenético. Daí, quando via a redação da Folha, entre 2018-23, era uma quase solidão: um aqui, outro acolá, silêncio e quietude. Mudam-se os tempos, etc.
Quem disse
“Sei, sim, muito bem, que há pessoas de grande fortaleza que traçam planos, organizam de antemão itinerários de existência, e seguem-nos; convém-se mesmo, se não me engano, que com vontade tudo se consegue; quero muito acreditar nisso, mas eu próprio jamais fui, confesso, nem um homem tenaz nem um autor astuto. Minha vida e minha literatura têm uma parte de passividade, de ignorância, de direção muito certeira fora de mim.”
— Joris-Karl Huysmans
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“As semelhanças são as sombras das diferenças. Diferentes pessoas veem similaridades diferentes e diferenças similares.”
— Vladimir Nabokov
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“Existe na história humana algo como a retribuição: e é uma regra de retribuição histórica que o seu instrumento seja forjado não pelos ofendidos, mas pelo próprio ofensor.”
— Karl Marx
Direto do almoxarifado
Links e referências bibliográficas
CUNHA, Martim Vasques da. A poeira da glória: uma (inesperada) história da literatura brasileira. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2015.
DE ASSIS, Machado. Crônicas escolhidas. Org. Fernando Paixão. 1. ed. São Paulo: Editora Ática, 1994. pp. 40-44 v. 1.
ROMERO, Sílvio. Machado de Assis: estudo comparativo de litteratura brasileira. 1. ed. Rio de Janeiro: Laemmert C. Editores, 1897. Disponível em [ https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4476 ]
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Dizem que o Conselheiro Aires seria Joaquim na velhice, vivendo a "pobreza elegante", como ele descreve a vida do ex-diplomata. Mesmo assim, não dá para cravar que isso seja verdade. Assim como Shakespeare, o autor Machado de Assis é inescrutável (outra palavra que devia ser evitada), um dos maiores criadores de representações na literatura do mundo.
Joaquim Maria Machado de Assis, humano, muito humano! Daniel Piza, escritor, escrevera a um tempo, que Machado morreu consagrado e incompreendido, pois mesmo depois de cem anos, suas obras continuam a ser interpretadas de todas as maneiras, nenhuma delas suficiente. É a marca do gênio.