#59. Minha vida de leitor
Como a literatura passou a fazer parte da minha vida
ABRO AS GAVETAS DA MEMÓRIA e puxo a ficha “por que me tornei leitor”. Acho importante examinar a questão, embora meu exemplo particular não possa ser estendido, ao menos em princípio, a qualquer outra pessoa. Parênteses: a filosofia chama a isso de usar um caso pessoal e aplicá-lo como regra geral falácia da evidência anedótica. A quem não sabia, vale pesquisar. Fecha parênteses.
Bem, indo ao ponto: sempre gostei de papel impresso, desde que me conheço por gente. Adoro isso; gosto de ver as letras no papel, o que no jargão gráfico se chama “mancha”, ou seja, tudo que vai estampado a tinta na página. Por quê? Não sei; há coisas que nunca saberemos explicar, e para mim essa é uma delas. Meu gosto por ver as páginas surge antes mesmo de aprender a ler. Eu gostava de ver quaisquer letras sobre qualquer papel: jornal, revista, livro, etc. Sempre foi irresistível para mim, e de algm modo eu queria fazer parte daquele negócio, entrar naquele mundo.
Lembro que, depois que aprendi a ler, lá no iniciozinho, eu folheava a cartilha Caminho Suave de capa a capa. Depois, conforme os livros didáticos evoluíam com as séries escolares, passei a ler aqueles trechinhos literários que vinham seguidos de um pequeno questionário e um glossário: Stanislaw Ponte Preta, Ruth Rocha, Pedro Bandeira e grande elenco. Ali foi meu primeiro contato com a literatura.
Origem
Não nasci num lar que incentivasse a leitura, se é o que parece. Filhos de retirantes, éramos e somos em três: duas irmãs e eu, o coluna do meio. Meu pai era metalúrgico e tinha o primário incompleto; aprendeu a ler e a fazer contas mais no trabalho que na escola. Minha mãe avançou nos estudos dois anos a mais, chegou ao primeiro ano do ginásio. Dessa forma, era natural e esperado em casa o desincentivo a ler, forçado mais pelas circunstâncias da vida que pelo desprezo pela leitura em si. Como em tantos lares brasileiros, em minha casa o ato de ler estava atrelado somente à escola, e fora dela, não precisava sequer existir.
Mesmo assim, não sei se por milagre, nós três éramos leitores em casa. A começar por minha irmã mais velha, que pedia livros a meu pai e este não tinha muita condição de comprá-los (e, por infeliz desconhecimento, não sabia da existência dos sebos). Livrarias, ele só sabia de duas, no centro de São Paulo: a Siciliano e a Saraiva, ambas na Rua São Bento com a Praça do Patriarca, hoje extintas. E ali, muito raramente, ele comprava algum livro para minha irmã mais velha. Eu, na sequência da escadinha filial, sempre pegava o material de segunda mão. Às vezes, o livro não combinava muito comigo, mas mesmo assim eu o lia: foi assim que soube do conto de fadas “A princesa e a ervilha”, num exemplar de capa almofadada que meu pai comprou para minha irmã.
Ainda nessa toada, pouco depois meu pai comprou um Aurélio daquele gigante (de novo, para minha irmã; que ficaria para nós, conseqüentemente). Imagino que tenha sido caro. Então, de vez em quando eu abria o catatau e ficava a ler o significado das palavras. Até hoje lembro de um vocábulo que achei bem diferente: “sandice”. Descobri e queria acusar os moleques idiotas da escola disso, de sandice, só pra ver a cara deles. Nunca ocorreu.
Quando me viu a ler o dicionário, minha mãe passou a dar broncas, “você vai ficar doido, menino!”. Talvez ela tivesse razão, pois um pouco eu fiquei mesmo. Doido pelas palavras…
Que eu me lembre, sempre fui o que se chama leitor onívoro, lia de tudo que me caía às mãos: jornal de ontem, revista velha, folheto de igreja e de macumba, jornalzinho promocional, panfleto de sindicato, rótulos e embalagens. Adorava, por exemplo, quando minha mãe ia à farmácia e trazia – decerto doado pelo farmacêutico –, o Almanaque Sadol. Ali, em papel jornal muito ilustrado, tinha de tudo o que se chama “conhecimentos gerais”: de como tirar manchas de caneta a pirâmides do Egito. Pois fui um leitor de almanaque, digo com orgulho.
Pouco depois, descobri o mundo dos gibis, das histórias em quadrinhos. Mas aqui fugi ao óbvio brasileiro que é a Turma da Mônica; com exceção do Pelezinho, nunca gostei muito do seu Maurício de Souza. Preferia quadrinhos Disney: Zé Carioca, Urtigão e Peninha eram meus prediletos. Também o Pateta Faz História, em que o personagem parodiava Tutancâmon, Beethoven, Gutenberg.
Depois, passei aos quadrinhos de super-heróis (Marvel e DC, pela Abril): comprava-os usados, numa banca de feira lá no bairro: pelas moedinhas que sobravam à minha mãe, eu conseguia meus exemplares semanais. Como o recurso a investir era escasso, eu revirava a banca em busca dos exemplares mais raros que meu dinheirinho podia comprar. Por essa operação, consegui algumas raridades, e em pouco tempo juntei um acervo considerável, pelo qual tinha muito zelo e ciúme. Depois, quando uma biblioteca municipal inaugurou perto de casa, eu descobri Asterix e Tintim. Pedi à minha mãe que fizesse a carteirinha para empréstimos (não podia antes dos doze anos de idade; eu tinha onze), e peguei emprestado cada volume, um após o outro. Depois de ler, eu tinha o cuidado de devolver o livro como recebido para nunca perder o crédito ali.
Quanto à literatura, os primeiros livros inteiros que li foram A Ilha Perdida e Menino de Asas, ambos pela lendária Série Vaga-Lume, da Ática. Gostei muito. Ambos vieram por minha irmã mais velha, decerto de alguma doação, não sei. Já vieram velhos. Também uma vizinha colecionava e emprestava aqueles livretos Para Gostar de Ler, e ali tive contato com grandes crônicas e contos brasileiros: O homem que sabia javanês, de Lima Barreto, o primeiro conto que li. De Lourenço Diaféria não gostei nada, mas gostei do nome.
Dos obrigatórios da escola, jamais gostei. Machado e Eça não são coisa de criança, hoje sei, embora a escola nos castigasse com eles. Uma injustiça, a nós e a eles. Mas gostei dos Assassinatos da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, numa tradução adaptada. Esta foi uma feliz exceção naquela época.
A fase religiosa
Éramos católicos em casa. No entanto, decepcionada com o padre que mergulhou de cabeça na Teologia da Libertação e deixou o evangelho de lado, meus pais deixaram a igreja católica. Longa história. Meu pai virou o brasileiríssimo católico não praticante e minha mãe virou evangélica, peregrinando por algumas igrejas até firmar-se numa só. E lá, como de praxe, lia-se muito a Bíblia, de modo que isso se estendeu a ela, também. Garoto, eu a via queixar-se com minha tia, “não entendo a Bíblia, é muito difícil”, tal. Aquilo ficou em minha cabeça: por que a Bíblia era tão difícil de ler? Não estava em língua portuguesa?
Então veio parar nas mãos dela um livro que concentrava apenas o Novo Testamento, um volume intitulado “O mais importante é o amor”, em capa mole e papel jornal. Tinha uma tradução acessível, diferente da intimidatória (mas bela, descobri depois) do padre português João Ferreira de Almeida. Nele, li os 28 capítulos dos Atos, um por dia, e até hoje é um dos meus livros bíblicos prediletos (lembrando que a Bíblia é uma coletânea de livros, não um livro só). Pura aventura, os Atos dos Apóstolos.
Então descobri que ler a Bíblia não era assim tão difícil, e além do mais, a sensação residual de ler o que chamávamos a palavra de Deus era muito bom e edificante, a coisa mais certa a se fazer. A partir dali, passei a ler muito a Bíblia, e, agora mais treinado, passei ao João Ferreira de Almeida: vocabulário difícil, mas muito recompensador. Fiquei no João Ferreira, e o difícil foi se tornando fácil. Hoje, desprezo as traduções moderninhas da Bíblia.
Li também livros de teologia, comentários, historiografia bíblica. Tudo vindo pela minha irmã, de novo, que já trabalhava e adquiria. Aqui, rapazinho, eu já contava uns treze, quatorze anos de idade. E juntava tudo isso ao estudo regular. O resultado é que, nas matérias que envolviam leitura, compreensão e interpretação, como Língua Portuguesa e História, eu tirava dez (ou nota A, critério da escola pública da época). Aliás, na minha estranha loucura (alô, Alcione), eu lia também os livros didáticos dessas matérias para além do estudo em si mesmo. Gostava, viu.
A fase cética
Jamais rompi com a religião. Contudo, depois da maioridade e de uma experiência de vida bastante precoce (longa história, de novo), eu entendi que, se sabia a Bíblia de capa a capa, do mundo e seus mistérios sabia bulhufas. Então eu queria entender: captar os subentendidos, os contextos, as alusões dos sujeitos cultos. Para isso, entendi que devia ser culto também. Mas, como fazê-lo, eu não tinha a menor idéia.
Religioso, nunca tive medo do confronto. Apeguei-me ao conselho de São Paulo aos tessalonicenses, “examinai a tudo e retende o que é bom”. Era isso. Agora, numa faculdade tardia, passei a ler Carl Sagan, Schopenhauer e Nietzsche. Não nego, gostei muito dos três. A reação imediata foi a de sair caçando contradições e hipocrisias nas coisas estabelecidas – nas da religião, inclusive –, mas eu soube, graças a Deus, não ir além de certo ponto e cair no puro cinismo. Isso seria minha ruína, suspeitei. Aqui, eu já era casado e pai de primeira viagem, então, como ser cínico tendo mulher e filho? Ser casado e pai demanda acreditar, não obstante as contrariedades da vida.
A fase prática
Marido e pai, eu precisava, adivinha só, de dinheiro. Não apenas tê-lo, mas administrá-lo; não apenas administrá-lo, mas fazê-lo funcionar, estabelecer a vida. O homem casado precisa funcionar, é consabido. Foi então que mergulhei nos livros de finanças, de investimentos, com pitadas de auto-ajuda. Não foi exatamente um deleite, mas também nenhuma tragédia literária. Pelo contrário.
Como efeito residual, descobri que em determinadas regras práticas eu não somente era ignorante mas uma enorme besta quadrada. Ali, tive conselhos que ninguém que eu conhecesse podia me dar. Aprendi um bocado, e entre tentativas e erros, não me arrependo do que fiz. Aquilo foi necessário.
Perder e ganhar dinheiro te faz, acima de tudo, respeitar as regras do vil metal. A frase que diz “dinheiro não aceita desaforo” é a pura verdade. Sem entrar em detalhes, o saldo final, entre começar a entender e internalizar o aprendizado, foi bastante positivo, em que pese minha própria situação e história de vida: toda comparação útil deve ser entre o você de ontem e o de hoje, e nunca com outra pessoa. Tendo isso em vista, a fase prática de leitura me valeu bastante a pena. Isso se deu entre meus 23 e 33 anos de idade, por aí.
A fase literária
A idade da razão, os trinta, foram para mim um período de crise existencial. Mais propriamente os 35 anos, em que passei em revista toda minha vida até ali. Apenas 35, é verdade, mas minha experiência era de uns 50 anos. Talvez porque jamais tenha sido adolescente no sentido existencial da palavra: da puberdade pulei direto à fase adulta. Fui “adultescente” ao contrário: adulto em plena adolescência. Natural que, aos 35, tivesse minha primeira crise de meia-idade. Vivi nessa fase duas músicas de Raul Seixas, simultâneas: Ouro de tolo e Diamante de mendigo, a segunda corrigindo a primeira. Graças a Deus, sobrevivi ao processo. Sobrevivemos.
Consideradas todas as coisas, eu precisava mesmo era achar a minha vocação. Concluía a terceira faculdade (de duas anteriores, trancadas), já tinha família, carrinho e casa própria (cachorro e gato, jamais quis). Ótimo, mas e daí? Haveria algo além, algo mais profundo, algum significado nessa vida?
Até ali, sempre fui de ler, nunca de escrever; embora, nas raras vezes em que eu escrevia algo (entrava em cena as redes sociais), eu percebi que me expressava melhor escrevendo que falando. Tinha o que se chama jeito com as palavras. Uma amiga confirmou isso uma vez, e me perguntou se eu não pretendia escrever a sério. O pai dela era poeta, disse; publicara uns livros de poesia e dava saraus (o tipo de coisa que não se confessa muito por aí, exceto para iniciados). De minha parte, neguei que devesse escrever, não me achava muito no direito. Mas, por alguma razão, aquilo ficou. Será? Escrever, eu?
Por essa época, eu acompanhava o blog do Rodrigo Gurgel, que conheci depois da polêmica com o Jabuti*. Ali ele dava muitas dicas preciosas, e uma delas era anotar cada pensamento, cada impressão, cada observação, e guardar tudo. Com qual objetivo? Nenhum a princípio. Apenas guardar, e talvez, quem sabe, aquilo servisse para algo mais à frente. Foi o que fiz. Além de ler, passei a anotar e anotar tudo que me vinha à cabeça: impressões momentâneas, contrariedades, reflexões. E versos: vieram-me um bocado de versos e fiz lá uns poeminhas, uma porção deles, nada muito a sério.
Nessa fase literária, deixei os livros técnicos da faculdade, os religiosos, os céticos e os práticos. Li apenas e tão somente literatura, em verso e prosa; ficção, especialmente, meu maior déficit até então. Eu, que julguei estar na poesia o meu lugar, acabei me encontrando mesmo na ficção. Já admirava os grandes dessa arte, até me chegar às mãos o Servidão Humana, de Somerset Maugham, e subitamente ter um vislumbre: era exatamente aquilo que eu queria fazer, daquele jeito. Seria um ficcionista como o Maugham. Mas precisava aprender o processo.
Autodidata, estudei a ficção, como fazer a coisa: manuais, cursos livres, referências variadas. E fui lendo e praticando, quietinho, até engendrar meu primeiro personagem, um certo Francisco: colocaria em sua boca e em seus pensamentos aquele conjunto de notas e observações que coligi por meses, e, dentro do próprio livro, na boca de outros personagens, colocaria as objeções àquilo, como num processo dialético. Foi então que, a partir de 2018, debrucei-me sobre meu primeiro romance, todo escrito à mão nas dependências do metrô paulistano, mais propriamente nas cadeiras de espera da estação Santa Cecília: Francisco Maia.
Então, sem deixar de ser leitor, virei escritor. Antes, publicaria dois blogs, e no meio, esta newsletter que lês, caro leitor. No fim, o livro ficou pronto, foi reescrito e revisado; hoje, está contratado e será publicado pela editora Danúbio, de Curitiba.
Mas essa é outra história, que prometo contar muito em breve.
*Link: Depoimento: Jurado “C” explica nota zero dada no Jabuti
Nova literatura de fôlego
Há uma história quase lendária no métier literário brasileiro. Diz que o então editor da Nova Fronteira, Pedro Paulo de Sena Madureira, fez uma provocação ao escritor João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), que teria lhe oferecido um novo romance: “não me venha com livrinho de 120 páginas para ler na ponte aérea”. Isso foi no começo da década de 80.
Pois João Ubaldo, sentindo-se desafiado, empreendeu aquela que se tornou sua obra-prima: Viva o povo brasileiro, lançado em 1984. O volume passava das 600 páginas.
De fato, são poucos os livros de fôlego na literatura brasileira. O mais clássico talvez seja Os Sertões, de Euclides da Cunha. Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, outro. Há o Lúcio Cardoso e seu Crônica da Casa Assassinada, o Quarup, de Antônio Callado, ambos acima das 500 páginas; Tocaia Grande, de Jorge Amado, mais de 400; em 1992, dona Rachel de Queiroz lança Memorial de Maria Moura, 500 páginas. Há outros (poucos) exemplos.
(Em tempo: não que número de páginas seja critério para avaliar qualidade literária; livro grande nem sempre é grande livro.)
Pois bem. Neste 2025, a literatura brasileira de fôlego continua viva, agora com dois contemporâneos: Karleno Bocarro e Rodrigo Duarte Garcia. Coincidência: depois de duas ótimas estréias, os escriores estão lançando o segundo romance: Os Flamingos (Garcia) e O Advento (Bocarro). Ambos por volta de 600 páginas e em pré-venda na Amazon.
Depois de um hiato e de muito embuste alçado a fenômeno nestes dias bicudos, a literatura brasileira renasce, e com fôlego de sobra. De modo que, seu Pedro Paulo, se essas linhas chegarem a si, saiba: haja ponte aérea para o tanto que há para o senhor ler.
Filigranas
Democracia e pluralidade. Em 2018, o lusitano João Pereira Coutinho deu duas palestras na PUC-SP, porém, num salão a portas fechadas e no período da tarde. O evento foi divulgado via e-mail a pouca gente (nem lembro como isso chegou a mim). O caso é que ninguém mais saber do evento, nem que JPC estava no prédio.
Esfinge. Há uma psicologia feminina do cabelo: a forma como a mulher trata os cabelos e os exibe exprime como ela está por dentro, seu estado de espírito no momento. Ler o cabelo da mulher é ler a mulher.
Súditos. Nossa essência é monárquica, nosso espírito é monárquico, nossa alma é monárquica. Ser brasileiro é ser monárquico: constitucional, parlamentarista, que seja; mas monárquico. A república foi um embuste que nos invade há mais de século. Ela nos é estranha, e principalmente nós, a ela.
Inatingível. É ver a grandeza em alguém que o ente brasileiro logo estabelece um patamar imediatamente superior na imaginação, para que nada e ninguém possa ser grande por direito e legitimidade. Admirar o admirável, para o ente brasileiro, é o maior dos crimes.
Quem disse
“É sempre melhor exprimir diretamente como pensamos sem tentar argumentar muito. Com efeito, os argumentos que apresentamos são variações das nossas opiniões, e aqueles que pensam o contrário não ouvem nem uns nem outros.”
— Goethe
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“O ser humano em sua inteireza é rico, e sua integridade indestrutível, a não ser por ele próprio, quando não quer assumir seu destino.”
— Paulo Francis
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“O trabalho subterrâneo de um bando de ratos pode, em certas circunstâncias, provocar o desmoronamento de toda uma montanha.”
— Jakob Wassermann
Direto do almoxarifado
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Fernando, a tua história, em alguns aspectos, conversa com a minha. Influenciado, até (re)publiquei um texto de anos atrás sobre minha relação com os livros. Continue a nos compartilhar as tuas memórias, lembranças, ficções, invencionices ou que mais te der na telha!
Queria essa experiência de leitura para meus filhos, porque eu não tive essa oportunidade por precisar trabalhar desde cedo. Mas não é fácil brigar com os prazeres instantâneos das tecnologias de entretenimento atuais.
Que o seu romance possa alcançar o maior número de pessoas. O país precisa.